22 de agosto de 2015

O Veredicto

Paulo Sérgio Zerbato
E a pétrea palavra caiu
sobre o meu peito ainda vivo.
Pouco importa: estava pronta.
Dou um jeito de aguentar.

Hoje, tenho muito o que fazer:
devo matar a memória até o fim.
Minha alma vai ter de virar pedra.
Terei de reaprender a viver.

Senão... o ardente ruído do verão
é como uma festa debaixo da janela.
Há muito tempo eu esperava
por este dia brilhante, esta casa vazia.

Anna Akhmátova (1889-1966)
Tradução: Lauro Machado Coelho

Nenhum comentário: