23 de agosto de 2015

O Poço dos Medeiros

Paul Signac
Não quero a poesia, o capricho
do poema: quero
reaver a manhã que virou lixo
................. quero a voz
a tua a minha
aberta no ar como fruta na casa
fora da casa
................. ......... a voz dizendo coisas banais
entre risos e ralhos
na vertigem do dia;
................................. não a poesia
o poema o discurso limpo
onde a morte não grita
............................................ A mentira
não me alimenta:
...................alimentam-me
as águas
............. ainda que sujas rasas
afogadas
................... do velho poço
......................... hoje entulhado
................................onde outrora sorrimos.
Ferreira Gullar

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