17 de agosto de 2015

Brahma

Morgane de Matons
Se o matador pensa que mata
E o morto pensa que foi morto
É que não sabem o que ata
Em meu caminho o reto ao torto.

O lá é aqui, o longe é perto.
A sombra e a luz, uma só flama.
Deuses me falam no deserto.
Iguais em mim a fama e a lama.

Ninguém escapa à minha vida.
Eu sou a asa do que voa,
Sou a dúvida e o que duvida
E a canção que o brâmane entoa.
Deuses anseiam por meu teto
E os sete sóis rondam me em vão,
Mas o que ama o bem, secreto,
Tem o meu céu em sua mão.

Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
Tradução: Augusto de Campos

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