20 de julho de 2015

Soneto dos cinquent'anos

Georgina de Albuquerque
Não sinto como o herói do mestre egrégio:
estou com os homens e com deus contente.
Revejo-me dos tempos de colégio,
aceito o meu passado e o meu presente.

A dor que deus me deu, aceito-a. Ponho
máscaras mansas no meu sofrimento.
Não quero mais que tenho, nem proponho
mesmo esse pouco dissipar no vento.

Tudo se foi, mas tudo está presente:
o rio, os bois, as árvores da infância,
meu Pai, severo, minha Mãe, paciente.

Faltam-me o olhar e a voz desse menino,
mas desce do seu gesto, na distância,
a força que enfrento o meu destino.
Odylo Costa Filho (1914-1979)

Nenhum comentário: