14 de julho de 2015

Campinas

Eu Amo Campinas

Campinas - 241 anos
Washington Maguetas - Praça Carlos Gomes (Campinas)
“Pelo límpido azul, já sem sol, antes que se lhe esvaia de todo o ouro de seus átomos de luz, mas quando o crepúsculo entra a desmaiar do seu brilho a safira celeste, um ponto retinto, perdido nos longes mais remotos, se acentua em negro na cúpula do firmamento, lá bem alto, bem de cima, como se a ponta de uma seta, desfechada perpendicularmente de além, varasse ali a redondeza anilada.
Era um, e logo após já são muitos, já vêm surgindo inumeráveis, já parecem infinitos, já se cruzam e recruzam, já se encontram e circulam, já se condensam e escurecem.
Eram um grupo e já formam um bando, já vêm crescendo em longas revoadas, já refervem em enxames e enxames, já se estendem em uma vasta nuvem agitada. Toldaram o céu, encheram o ar, vêm-nos ondeando sobre as cabeças. Agora, afinal, como os movimentos de uma grande vaga sombria, pontuada de branco, a librar-se entre a terra e a imensidade, baixa a massa inquieta, rumorejando, oscilando, flutuando, rasga-se na coroa das palmeiras, açoita os fios telegráficos, resvala pelos tetos do casario, e, ao cabo, arfando e remoinhando, turbilhonando e restrugindo com o estrépito de uma cascata argentina, de uma cachoeira de cristais que se despedaçam, chilreada imensa de vozes e grasnidos às dezenas de milhares, pendem, mergulham e desaparecem, numa imensa curva borbulhante, por sobre o largo telheiro abandonado, que essa aérea multidão erradia elegeu entre nós para abrigo do seu descanso nas cálidas noites de verão.”
Rui Barbosa em 1914 quando visitou a cidade.

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