17 de junho de 2015

O Navio Negreiro – Canto Final (VI)

Johann Moritz Rugendas - Negros no porão de um navio negreiro
Existe um povo que a bandeira empresta
Para cobrir tanta infâmia e infâmia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio, Musa... Chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança.

Castro Alves (1847-1871)

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