11 de junho de 2015

Eu vivo, eu morro: e ardo

Antonio Sgarbossa
Eu vivo, eu morro: e ardo e arrefeço;
com extremo calor tremo de frio;
do mundo ora me espanto ora me rio;
no meio da alegria me aborreço.

E tal como jubilo me entristeço;
no prazer o tormento ludibrio;
meu bem não dura mais que um arrepio;
e seco de repente, e reverdeço.

Assim me arrasta o inconstante Amor:
e quando penso que é maior a dor,
sem saber como sinto-me liberta.

Mas do alto a que subo deslumbrada
novamente me vejo despenhada,
quando julgo a fortuna mais que certa.

Louise Labé (1524-1566)
Tradução: David Mourão-Ferreira

Um comentário:

Maria Rodrigues disse...

Excelente escolha, belíssimo poema.
Beijinhos
Maria