26 de maio de 2015

Quem precisa de Proust?

Vincent Van Gogh
É já tarde na noite
e a praia está deserta.
Rebenta o mar
sobre os rochedos.
Um ar cálido,
espesso de salitre
e de lembranças,
banha-me a cabeça.
Fecho os olhos.
Inalo.
Deixo-me levar.
E logo penso,
como quase sempre
que me ocorrem estas coisas,
em Proust.
Mas não li Proust.
Que importa.
A vida é bela.
Quem precisa
de Proust?

Roger Wolfe
Tradução: Luís Filipe Parrado

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