24 de maio de 2015

Gerhard Bartels

Pela primeira vez em 80 anos, o menino utilizado pela propaganda nazista dá entrevista. Gerhard Bartels, agora com 83 anos, foi escolhido para ser o garoto-propaganda do Nazismo.
Um pequeno menino de rosto angelical e olhos azuis chamado Gerhard Bartels foi um verdadeiro símbolo do nazismo e instrumento de propaganda do genocida Adolf Hitler. E tudo aconteceu por casualidade, quando ele teve que posar para uma foto ao lado do líder nazista, amigo de seu tio Isidor Weiss, que o conheceu na Primeira Guerra Mundial. O fotógrafo era ninguém menos que Heirich Hoffmann, o responsável por retratar Hitler em todos os momentos. No entanto, a propaganda nazista viu nessa imagem algo muito maior: identificaram rapidamente a oportunidade de utilizar o pequeno menino branco como exemplo da pureza ariana. Desde então, seu rosto apareceu em inúmeros postais, livros e cartazes de campanha.
Hoje, 80 anos depois, Gerhard Bartels quebrou o silêncio pela primeira vez, para aliviar as dores do evento que o atormentou por toda sua vida. Era o ano de 1936 quando seus pais o mandaram vestir sua melhor roupa. Tratava-se de uma ocasião muito especial: naquele dia, ele conheceria Hitler em pessoa. “Eu não tinha permissão para brincar com as outras crianças esse dia, para não sujar minha roupa (...) Não gostei disso. Eu só queria ficar fora com as outras crianças”, lembra Bartels.
“Hitler era um bandido. Os nazistas me usaram com fins propagandísticos. Fui utilizado para mostrar o amor de Hitler pelas crianças”, ele acrescenta. “Mas todo ditador faz a mesma coisa, de Mussolini a Stalin. Fui escolhido porque obviamente me encaixava no que Hitler pensava que deveria ser uma criança ariana”.
Daquele encontro, Bartels ainda se lembra de um fato muito específico e, segundo ele mesmo define, doloroso: o menino foi obrigado a cumprimentar Hitler com o tradicional “Heil, mein Führer”. “Mesmo naquela idade tão jovem, eu sabia que estava sendo manipulado”, confessa. Bartels também se recorda de outro detalhe, que evidencia a sua mais pura inocência em relação ao que acontecia: “Eu estava feliz por tirarem uma foto minha porque pensava que teria uma porção maior da torta de maçã. O fotógrafo, Heirich Hoffmann, tirou todas as fotos, mas, 80 anos depois, ainda estou esperando a torta”, ele afirma ironicamente.

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