10 de maio de 2015

Canções de Cambridge

Arpad Szenes - A Alcova
Vem agora, doce amiga,
a meu coração tão cara!
Vem agora a minha casa,
para ti toda enfeitada…

Há véus que pendem do teto;
e há cadeiras, e almofadas;
e também não faltam flores,
por entre ervas perfumadas…

A mesa já está servida,
de iguarias carregada;
e haverá límpido vinho,
e tudo o que mais te agrada…

Ouvirás, ao som da flauta,
doces músicas tocadas;
por um moço e uma donzela
belas canções entoadas…

Ele canta ao som da cítara,
ela na lira embalada…
E os servos trazem taças
com bebidas aromáticas…

— “Agrada-me mais que a mesa,
A agradável sobremesa;
Mais que a rica pitança [*],
A amorosa confiança.”

Vem agora, minha irmã,
acima de tudo amada,
ó clara luz dos meus olhos,
parte maior da minha alma!

— “Sempre vivi na floresta,
Não amei lugares de festa;
Evitei sempre o gentio,
E das gentes me desvio.”

Meu amor não queiras tardar
Empenhemo-nos em amar.
Sem ti viver é bem duro,
O nosso amor está maduro.

Porquê, amiga, entreter,
Se por fim se irá fazer?
O teu que fazer acelera,
Pois eu já não tenho espera.

Anônimo séc. X-XI
Tradução: David Mourão-Ferreira
* Prato extraordinário que se serve em dias festivos.

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