7 de abril de 2015

Soneto

Martin Johnson Heade
Eu a vi passar por meus jardins
quando minha alma era luz da luz.
Eu a vi mirar o berço
onde a Luxúria morde as crinas.

Eu a vi rezar na penumbra
no altar dos sacros martírios,
azul e pálida como os lírios,
com a luz de meu peito que a ilumina.

Nunca mais a vereis, pois a minha alma
já entrou no reino do prazer sombrio,
jardim sem lua, sem paixão, sem flores.

Murchou a flor; e acalmou-se
minha ilusão. Já longínquo o vozerio,
o coração penetrou nas dores.
Federico Garcia Lorca (1898-1936)

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