20 de abril de 2015

Espelho

Mary Cassatt
Quem é esse que mergulhou no lago liso do espelho
E me encara de frente à claridade?

Tem na íris castanha irradiações misteriosas,
E o negrume do sonho alarga tanto as pupilas
Que o seu lábio sensual como um beijo esmaece.

Abro a mão – ele abre a mão.

Meu plagiário teimoso...

Tudo que eu faço morre no gelo de um reflexo.

(Ele sorri do meu sarcasmo...)

Não poder fugir da introversão,
tocar a carne da evidencia!

Dói-me a ironia de pensar que eu sou tu, fantasma.

Augusto Meyer (1902-1970)

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