21 de abril de 2015

Chove

Camile Pissarro
Nesta tarde chove, e chove pura tua imagem.
Na minha recordação abre-se o dia. Entraste.
Não oiço. A memória dá-me só a tua imagem.
Só o teu beijo ou chuva cai em recordação.

Chove a tua voz, e chove o beijo triste,
o fundo beijo,
beijo molhado em chuva. O lábio é húmido.
Húmido de recordação o beijo chora
nuns céus cinzentos
delicados.

Chove o teu amor, molha a minha memória
e cai e cai. O beijo cai ao fundo. E cinzenta ainda cai
a chuva.

Vicente Aleixandre (1898-1984)
Tradução: José Bento

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