26 de março de 2015

Poesia Medieval

Iluminura de Codex Manesse
Companheiros, trataram-me tão mal
que não posso deixar de me queixar neste canto,
ainda que por nada deseje que saibam meus feitos.
Dir-vos-ei do que se trata:
não gosto de cona guardada, nem poça sem peixes,
nem jactâncias de homens malvados que não realizam seus feitos.
Senhor Deus, que é chefe e rei do mundo,
como não destronaste o primeiro guardador da cona?
¹
Nunca houve pior serviço ou guarda com seu senhor.
Mas dir-vos-eis da cona, qual é sua lei,
como alguém que mal lhe fez e maior recebeu:
se tudo diminui com o uso, com a cona aumenta.
E aquele que não crer em minhas razões,
que vá então vê-las perto do bosque, em um recanto:
para cada árvore que se poda, nascem duas ou três.
Quando o bosque é podado, renasce mais espesso,
e seu senhor não perde seus ganhos nem sustentos,
mas lamenta o corte, se tem dano.
Mau é lamentar o corte sem dano.

Guilherme da Aquitânia (1071-1127)
Tradução: Ricardo da Costa e Lorenzzo Cassaro

1. O poema é sobre a vagina feminina. Ela deve ser bem tratada e muito utilizada, pois é como o bosque podado: sempre cresce com renovado vigor!

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