22 de março de 2015

Filosofia e Felicidade:

O que é ser feliz segundo os
grandes filósofos do passado e do presente
Jacques-Louis David - A Morte de Sócrates
Para Sócrates, sofrer uma injustiça era melhor que praticá-la e o homem feliz era essencialmente um justo. Por isso mesmo, ele recebe com tranquilidade a sentença do tribunal que o condenou à morte. No quadro, uma obra-prima de Jacques-Louis David, o filósofo recebe a taça com o veneno, enquanto consola seus discípulos. As reflexões de Sócrates sobre justiça e felicidade encontram-se especialmente no diálogo "Górgias", de Platão, seu mais célebre aluno.
Rafael Sanzio - Escola de Atenas
Tanto Platão quanto Aristóteles associavam a felicidade à virtude. Para o primeiro, todas as coisas têm sua função: a do olho é ver; a do ouvido, ouvir; a da alma, ser virtuosa. Já o segundo foi o filósofo que estabeleceu a Ética como uma reflexão sobre a felicidade, num livro escrito para seu filho Nicômaco. No quadro "A escola de Atenas", de Rafael Sanzio, os dois filósofos são vistos ao centro (e aqui também no detalhe), dialogando. Platão, o mais velho, aponta para o céu, o que simboliza seu idealismo. Aristóteles tem a mão voltada para a terra, o que representa seu realismo.
Velásquez - São Tomás de Aquino
Com o advento do Cristianismo, a ideia de felicidade associada à vida mundana saiu do horizonte dos filósofos, sendo substituída pela noção de bem-aventurança espiritual. O quadro de Velásquez ilustra um episódio da vida de São Tomás de Aquino - o maior expoente da filosofia cristã. Nele, o filósofo despreza a tentação da carne, representada pela mulher que sai pela porta, contando para isso com o apoio dos anjos. Não por acaso, Aquino recebeu o cognome de Doutor Angélico.
Nicolas Poussin - Dança à música do Tempo
O prazer, de um modo geral, é exaltado por Epicuro, que o considera essencial para a felicidade. Por isso, o filósofo é considerado o fundador do hedonismo, doutrina que põe o prazer em primeiro lugar. Mas na Carta a Meneceu, onde trata do tema, Epicuro deixa claro que não se refere "aos prazeres dos dissolutos e dos crápulas". O quadro de Nicolas Poussin ilustra uma cena de dança grega, celebrando os prazeres terrenos.
Emil Doerstling - kant
Na obra "Crítica da razão prática", filósofo alemão Immanuel Kant definiu a felicidade como a "condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com seu desejo e vontade". Porém, considerando que a felicidade se dá no âmbito da satisfação dos desejos, ele a excluiu da reflexão ética e, desde então, a filosofia se afastou do tema. Isso não quer dizer que o filósofo rejeitasse os prazeres da mesa e da boa companhia, como se vê no quadro.
John Trumbull's - Declaration of Independence
Já na Antiguidade os filósofos consideravam a felicidade um assunto relacionado à política. No entanto, foi a Constituição dos Estados Unidos, que data de 1787, que incluiu a busca da felicidade entre os direitos do homem, com base em reflexões filosóficas que se originam no pensamento de David Hume e nas ideias iluministas que inspiraram os responsáveis pela independência das colônias britânicas na América. O quadro de John Trumbull retrata os fundadores do Estado norte-americano.
Logicomix
Retratado aqui numa imagem da história em quadrinhos "Logicomix", sobre sua vida e obra, o filósofo inglês Bertrand Russell trouxe de volta a felicidade ao âmbito da reflexão filosófica. Em "A conquista da felicidade", ele põe em ação o método da investigação lógica para descobrir o que pode fazer alguém feliz. Em síntese, ele conclui que é preciso deixar de lado o egocentrismo e abrir-se para o maior número de interesses e de relações, tanto com as coisas quanto com outras pessoas.

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