11 de fevereiro de 2015

Soneto

Vincent van Gogh
Uma admirável erva se conhece
Que vai ao Sol seguindo de hora em hora
Logo que ele do Eufrates se vê fora,
E quando está mais alto, então floresce

Mas quando ao oceano o carro desce
Toda a sua beleza perde Flora
Porque ela se emurchece, e se descora
Tanto co’a luz ausente se entristece.

Meu Sol, quando alegrais esta alma vossa,
Mostrando-lhe esse rosto que dá vida,
Cria flores em seu contentamento

Mas logo, em não vos vendo, entristecida
Se murcha, e se consome em grão tormento
Nem há quem vossa ausência sofrer possa.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

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