5 de fevereiro de 2015

Soneto

Louis-Jean-François Lagrenée - Echo e Narcissus
O silêncio em que jaz a natureza
No mais alto da noite escura, e fria,
Me imprime na cansada fantasia
Mil saudosas imagens de tristeza.

Tudo o que encerra a vasta redondeza
A gozar do repouso principia:
Só eu, que o cego amor tenho por guia
Corro após os encantos da beleza.

Cheio de mil saudades penetrantes,
Sem ver da minha Lilia o gesto brando,
Envio ao céu suspiros incessantes.

E por ir meus pesares mitigando,
Nas estrelas que vejo mais brilhantes
Estou seus lindos olhos contemplando.

Joaquim Severino Ferrás de Campos (1760-1813)

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