19 de fevereiro de 2015

Os Sonetos a Nize do Abade de Jazente

Jean Frederic Schall
Eu como, eu bebo, eu durmo, e sem receio
Do que há de vir a ser, a vida passo,
Ora de Nize no gentil regaço,
Ora das Musas no sonoro enleio.

Às vezes pesco, às vezes jogo, ou leio,
E torres vãs também no vento faço;
Depois me vou meter naquele espaço,
Onde Descartes tinha o seu passeio.

De lá mil orbes vejo, e de improviso
Soltando ao pensamento as vagas velas,
Turbilhões de cristal sem medo piso.

E pondo-me por cima das estrelas,
Descubro a terra em baixo, e me dá riso
Contemplando do mundo bagatelas.

Paulino Cabral de Vasconcelos (1719-1789)

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