28 de fevereiro de 2015

Os Bois

Georgina de Albuquerque
É dolorosa a angélica atitude
Dos grandes bois lentos a trabalhar…
Sinto neles a força da saúde
A glória de viver para ajudar.

Da sua laboriosa juventude
Nada têm, pobres diabos a esperar…
Quem sabe? A vida pode ser que mude…
E eles se põem a olhar o campo, a olhar…

Tempo de safra. Brilham canaviais…
Gemem os carros e o rumor se irmana
À alma dos bois que geme muito mais.

Pacientemente seguem, dois a dois…
Há uma filosofia muito humana
No mugido e no olhar, tristes, dos bois…

Olegário Mariano (1889-1958)

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