8 de fevereiro de 2015

Objeto Sujeito

William-Adolphe Bouguereau
Você nunca vai saber
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade
pelo lado de dentro
como fazer de um verso
um objeto sujeito
como passar do presente
para o pretérito perfeito
nunca saber direito
você nunca vai saber
o que vem depois de sábado
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio
quem sabe apenas
mais um domingo
você nunca vai saber
e isso é sabedoria
nada que valha a pena
a passagem prá pasárgada
xanudu ou shangrilá
quem sabe a chave
de um poema
e olha lá…

Paulo Leminski (1944-1989)

Nenhum comentário: