11 de fevereiro de 2015

“Al Cor di Zolfo…”

Willy Zielke
Um coração de enxofre, a carne estopa,
e de bem seca lenha o atro seio,
alma sem qualquer norte, alma sem freio,
desejo pronto que ao prazer não poupa,
cegueiras da razão tão fraca e louca,
e quando o mundo é de ciladas cheio –
não é grã maravilha, se um anseio
a chama atiça a tão ardente roupa.
E as Artes belas que, do céu consigo
se alguém as traz, a Natureza enfreia,
se a força aplica em toda a parte e logo…
Se como tal nasci, se à Arte eu sigo,
entregue o coração ao que o incendeia,
culpa será de quem me deu ao fogo.

Miguel Angelo (1475-1564)
Tradução: Jorge de Sena

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