18 de fevereiro de 2015

A Cíntia

Auguste Jean Baptiste Vinchon - Propertius and Cynthia
Oh, que feliz me sinto! Ó noite assinalável
com uma pedra branca! E tu, pequena cama,
pelo prazer que me deste, eis-te santificada…
Que murmúrios, à luz duma velada lâmpada!
E que luta, depois com a luz apagada!
Tão breve ao meu ardor a túnica interpunha,
como, de seios nus, comigo enfim lutava!
Se me via a dormir, logo os lábios depunha
em meus olhos, dizendo: “Indolente, assim jazes?…”
E os braços de nós dois renovavam abraços;
e meus beijos sem fim detinham-se em teus lábios.

Sextus Aurelius Propertius (43 a.C. - 17)
Tradução: David Mourão-Ferreira

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