30 de janeiro de 2015

Poesia Erótica

Jean-Marc Nattier
Agora está o solo puro, e as mãos de todos nós
e os cálices. Um põe-nos as coroas entretecidas,
e outro oferece-nos numa taça a essência fragrante.
O crater
¹ está repleto de boa disposição.
Está já pronto outro vinho, que garante que jamais
abandona ao barro o cheiro a mel da sua flor.
No meio, uma árvore de incenso desprende um
sacro aroma; a água está fresca, doce e pura.
Aqui temos os fulvos
² pães e a mesa suntuosa,
carregada de queijo e de pingue mel.
Ao meio, o altar está todo coberto de flores.
A música festiva domina o ambiente.
Ao deus devem os homens sensatos entoar primeiro um hino,
com ditos de bom augúrio e palavras puras.
Depois de fazer as libações e preces para procederem
com justiça — pois isso é a primeira lisa —
não é insolente beber até ao ponto de se poder voltara casa
sem ajuda de um escravo, a menos que se seja muito idoso.

Xenófanes de Cólofon (570-475 a.C.)
Tradução: Maria Helena da Rocha Pereira
(Fragmento 1, Ed. Diels-Kranz, versos 1-18)

1. Crater = Taça, ➞ é uma constelação do equador celeste.
2. Fulvos = Cor que fica entre o ruivo e o louro dourado

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