4 de janeiro de 2015

O Estrangeiro

L'étranger - Editora Gallimard
A Editora Gallimard lançou, recentemente, uma versão em quadrinhos para O Estrangeiro, famoso livro do escritor Albert Camus, de 1942. Trata-se de um belíssimo álbum, em capa dura, que pertence à coleção Fétiche, série da qual também faz parte O Pequeno Príncipe, de autoria de Joann Sfar, baseado na obra de Antoine de Saint-Exupéry. Ilustrado por Jacques Ferrandez, L’Étranger faz jus ao romance que lhe deu origem. Provavelmente pintada à mão, com pinceladas de Aquarela, a edição é de um bom gosto extraordinário e bastante fiel ao texto de Camus. Quem viu o filme, O Estrangeiro, de Lucino Viscontti, de 1967, com Marcello Mastroianni, talvez imagine que o autor da HQ possa ter se baseado nele para desenhar suas pranchas, já que há cenas que parecem ter sido retiradas, inteiramente, deste longa. O volume em quadrinhos tem 134 páginas e bem que mereceria uma tradução imediata para o português. Lembramos que a Gallimard é a mesma editora de Aya de Yopougon, editada no Brasil pela L&PM. A história de O Estrangeiro se passa na Argélia, África, no tempo em o país ainda era uma das colônias da França. A trama tem como protagonista, o jovem Mersault, um homem de poucas palavras, e aparentemente sem sentimentos, que mora em Argel. Ele é ateu, não chora no dia do enterro de sua mãe, deixada por ele num asilo, tem um romance gélido com Marie, sua colega de trabalho, se envolve com um mal elemento e acaba matando um árabe por motivo fútil. Sua maneira indiferente de encarar a vida será usada contra ele, pela Justiça, na tentativa de se obter a pena máxima por seu delito. O exemplar utilizado para fazer esta matéria foi comprado no estande do BIEF, por ocasião da XVI Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Torcemos para que L’Étranger seja, rapidamente, lançado no Brasil.
A história de Meursault fascinou milhões de leitores pelo mundo, ao oferecer uma reflexão contundente sobre o absurdo da condição humana e questionar a máquina impiedosa da justiça social. Passados mais de setenta anos de sua publicação, O estrangeiro está mais atual do que nunca.


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