26 de dezembro de 2014

Ovídio

Três Poetas Canônicos da Literatura Latina:
  1. Virgílio (70-19 a.C.)
  2. Horácio (65-8 a.C.)
  3. Ovídio (43 a.C.-17)
1. Virgílio (70-19 a.C.)
Tem três obras básicas:
Bucólicas, dez églogas em que descreve a natureza como refúgio de paz e sossego;
Geórgicas, poema didático em quatro partes (agricultura, árvores frutíferas, rebanhos e abelhas); e
Eneida, poema épico inspirado em Homero, no qual apresenta o imperador Augusto como descendente de Enéias, herói da Guerra de Tróia.

2. Horácio (65-8 a.C.)
É o poeta da reflexão. Escreveu:
Sátiras,
Odes e
Epístolas. Predominam o equilíbrio e a harmonia de suas imagens. Em seus últimos anos de vida preferiu as epístolas, nas quais tratou de assuntos morais e literários.

3. Ovídio (43 a.C.-17)
Na obra do mais jovem poeta da época de Augusto destacam-se:
A Arte de Amar e
Metamorfoses, em que relata as transformações míticas de deuses, homens e heróis. Seu estilo é fácil, elegante e harmonioso.

Ovídio foi condenado ao exílio por motivação política pelo imperador Augusto, onde permaneceu até sua morte.
Exílio terrível foi o de Ovídio. O maior poeta da língua latina passou os últimos anos de vida confinado numa das mais remotas províncias do vasto império romano, longe da mulher e dos amigos. Por motivos desconhecidos, o imperador Augusto condenou-o a viver o resto de seus dias em Tomis, nos confins do Mar Negro, onde Roma terminava e começava a barbárie.
Tudo era selvagem naquele canto deserto do mundo. A água de beber era salobra, não havia pomares, nem vinhedos, nem árvores de folhas verdes – apenas estepes nuas, sem vida, cobertas até o horizonte por uma macega raquítica. O frio era terrível; o solo ficava congelado a maior parte do ano, e o gélido vento do norte vinha derrubar as telhas das moradias. O vinho solidificava e tinha de ser cortado em blocos com uma machadinha. O mar às vezes congelava; os golfinhos deixavam de saltar e peixes vivos podiam ser encontrados em blocos de gelo.
A população provinha de tribos rudes, de nomes vários e impronunciáveis. Vestiam-se como mendigos, tapados de peles até a cabeça, armados de porretes ou arco-e-flecha. O cabelo descia-lhes até o peito e jamais aparavam a barba. Alguns falavam um grego arrevesado, mas Ovídio não encontrou quem conhecesse as palavras mais simples do Latim. Tinham a voz áspera e o olhar truculento, e por quase nada viviam se apunhalando uns aos outros. Como se não bastasse, havia as tribos inimigas: no inverno, quando o rio Danúbio congelava, guerreiros a cavalo caíam sobre as aldeias indefesas como bandos de aves de rapina. Esses sinistros predadores rondavam incessantemente os muros baixos da cidade, tornando os telhados das casas verdadeiros agulheiros de flechas envenenadas.
Ovídio, que aos poucos tinha perdido a esperança de voltar a Roma, expressou em seus poemas toda a tristeza que sentia. Quando ficou doente, lamentou não ter alguém a seu lado para consolá-lo ou ajudá-lo a suportar o sofrimento; antes de morrer, passou-lhe pela mente a ideia terrível de que ia ser enterrado lá mesmo, naquela solidão, ficando seu espírito condenado a vagar para sempre naquela terra tão inóspita.
Abaixo os concelhos de Ovídio que, no fragmento de Arte de Amar, mostra já saber da existência do ponto G, expectativa e angústia do seu fruir nos nossos dias.
Louis-Jean-François Lagrenée
Acredita no que te digo:
não deve apressar-se o prazer de Vênus,
mas sim, discretamente,
fazer por retardá-lo e demorá-lo.
Quando descobrires o ponto
onde a mulher se excita ao ser tocada,
não seja o pudor a impedir-te de o tocar;
verás os seus olhos a brilhar de fogo cintilante,
como tantas vezes o sol reflete
a luz na superfície da água;
far-se-ão ouvir queixumes,
far-se-á ouvir um encantador sussurro
e doces gemidos e palavras apropriadas ao prazer.
Mas não deixes para trás a tua parceira,
desfraldando mais largas velas,
nem seja mais rápido o ritmo dela que o teu;
avançai para a meta ao mesmo tempo;
então, será pleno o prazer,
quando par a par, jazerem,
vencidos, a mulher e o homem.

Ovídio (43 a.C.-17)
Tradução: Carlos Ascensões André

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