27 de dezembro de 2014

Soneto

Abraham Bloemaert
Já lá vão sete lustros, que este monte
Berço me foi: Já da vital jornada
Mais de meia carreira está passada;
E cedo iremos ver outro horizonte:

A mão já treme, já se enruga a fronte,
Já branqueja a cabeça, e com a pesada
Considração da vida mal gastada,
Vai-se apagando a luz, secando a fonte.

Pouco nos resta, que passar já agora;
E para as derradeiras agonias
De tantos anos, aproveite hum’hora.

Esperanças, temores, vãs porfias,
Paixões, desejos, ide-vos embora;
Favor, que me fareis por poucos dias.

João Xavier de Matos (1730-1789)


O poema refere-se ao envelhecimento, a dureza que é envelhecer.
Tanto o poema como a imagem mostra um ser esgotado pelo tempo.
Foi escrito no século XVIII quando o português era bem arcaico.


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