19 de dezembro de 2014

Somos algo e não tudo ...

Frederic Edwin Church
“Somos algo e não tudo; o que temos que ser priva-nos do conhecimento dos primeiros princípios que nascem do nada; e o pouco que somos nos impede a visão do infinito. Nossa inteligência, entre as coisas inteligíveis, ocupa o mesmo lugar que o nosso corpo na magnitude da natureza.
Limitados em tudo, esse termo médio entre dois extremos encontra-se em todas as nossas forças. Nossos sentidos não percebem os extremos: um ruído demasiado forte nos ensurdece, demasiada luz nos deslumbra, demasiada distância ou demasiada proximidade impede-nos de ver, demasiada longitude ou demasiada concisão do discurso o obscurece, demasiada verdade nos assombrosa (sei de alguém que não pode compreender que quem de zero tira quatro fica zero); os primeiros princípios tem demasiada evidência para nós outros, demasiado prazer incomoda, demasiada consonância aborrece na música, e demasiado benefício irrita, pois queremos ter com que pagar a dívida.
Eis o nosso estado verdadeiro; é o que nos torna incapazes de saber com segurança e de ignorar totalmente”.
Blaise Pascal (1623-1662)

Nenhum comentário: