15 de dezembro de 2014

O Sonho de Sêmea

............(À poetisa Cecilia Meireles)
Camille Pissarro
Ela era das feras, sem dúvida, a fêmea
em eras de harpas e de delicadeza.
Suas mãos em movimento de rara leveza
traziam morangos e pães feitos de sêmea.

Hoje, tarde de abril, em que o sol já não arde
a memória arrebata-me e voo-me inteiro.
Debaixo da copa frondosa do oitizeiro
nossos lábios crepitam suaves, sem alarde.

Ela era das feras, a única: a fêmea
nas eras e rincões em que a tal lucidez
teimava em sinônima ser da cupidez:
adentrar os belos bosques da minha alma gêmea!

Sim, das feras era ela única, a fêmea
despetalava ao vento minha juventude
com suas mãos de harpa, de rara virtude.
E junto com as pétalas... meu sonho em sêmea ...

- Orlando Costa Filho

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