25 de novembro de 2014

Vidas Secas

Candido Portinari - Os Retirantes
“O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender”.
(Graciliano Ramos. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)
Da leitura desse trecho, podemos concluir que o narrador tem êxito na construção da alteridade, ao se colocar no lugar do menino e de Baleia e permitir a relação entre essas duas personagens.
Em Vidas Secas, o narrador tipicamente emprega o estilo de misturar o seu próprio discurso com aqueles das personagens, assim misturando o que ele mesmo narra com os diálogos das personagens, o que acontece na passagem citada. Com isso, percebemos como o menino se relaciona com a cadela: apenas com gestos fáceis de entender . Além disso, o menino, com um vocabulário escasso como o de um papagaio, aproxima-o de um animal como a cadela.

Nenhum comentário: