27 de novembro de 2014

Infinito

Georgina de Albuquerque
Um delicioso anseio me atordoa,
Netas lindas manhãs de primavera;
Em mim não me contenho, pois quisera
ter asas para voar sem rumo, à toa!

Os olhos pondo na azulada esfera,
Toda ave invejo que, liberta, voa:
Como seria, sendo livre, boa
A vida que me prende e desespera!

Nestas manhãs de luz maravilhosas
Em que sorrindo, desabrocham rosas,
Quem me dera dispor de duas asas, –

Para, contente, voar do vale à serra;
Para, louvando o que existir na terra,
A um tempo além pairar das coisas rasas!

Renato Travassos

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