19 de novembro de 2014

Fazenda Abandonada

William H. Johnson
Casa velha
de monjolo antigo,
tranquilo abrigo,
de sapos, rãs e lagartixas,
onde vespas e aranhas tecelãs
penduram teias e enxus.
No córrego que passa,
lépidas libélulas
assustam ariscos guaru-guarus.
A água,
outrora,
espumante,
sonora,
escorre,
agora,
calma,
silenciosa…
Samambaias e avencas solitárias
enfeitam com verdes rendas
limoso nicho.
Gotas de orvalho
lembram pérolas,
contas de rosário
enfiadas em capim.
Aveludados musgos
amaciam a face dura
de rugosas pedras.
Alegres pássaros
cantam afinados duetos
com cigarras estridentes.
Centelhas de ouro em pó,
estilhas de prata laminada,
enchem de raro encanto
a folhagem molhada
daquele ameno recanto
da fazenda abandonada.

Décio Valente

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