25 de outubro de 2014

Vaso Chinês

Alfred Stevens
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.

Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Alberto de Oliveira (1857-1937)

Um comentário:

redonda disse...

Cheguei aqui numa busca do Google. Gostei do seu blogue, pelas imagens e pelas palavras. Por isso vou passar a seguir.
Gábi