4 de outubro de 2014

Profundo e Límpido

Sophie Gengembre Anderson
O céu é tão límpido, que tudo se funde em luz.
O dia, tão quente, como se acabasse de ser criado.

E, no entanto, a água nunca deixou de murmurar,
O vento, de pentear as ervas, o riacho, de polir as pedras.

A roda abstrata da cavalinha é velha,
Velha... A percepção é jovem, acabada de nascer.

O céu é tão límpido, que um pássaro transparece,
A água tão profunda... E o resto é acaso.

Eeva-Liisa Manner (1921-1995)
Tradução: Manuel Resende

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