16 de outubro de 2014

Porque viajas Marco Polo?

Uma parte do Atlas Catalão que foi criado pelo cartógrafo de Maiorca Abraham Cresques
Em uma das várias conversas entre o viajante Marco Polo e o imperador Kublai Khan, Khan questiona qual o propósito de viajar.
"Marco entra numa cidade; vê alguém numa praça que
vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça.
Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os
futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
- Você
viaja para reviver o seu passado? - era, a esta altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira - Você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu ao descobrir o muito que não teve e não terá.
Italo Calvino (1923-1985)
(As Cidades Invisíveis)

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