17 de outubro de 2014

Livro do Desassossego

Pierre Puvis de Chavannes
Há uma erudição do conhecimento, que é propriamente o que se chama erudição, e há uma erudição do entendimento, que é o que se chama cultura. Mas há também uma erudição da sensibilidade.
Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780) começa o seu livro célebre,
Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca saímos das nossas sensações. Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava é a que percorro e é a minha ”.
Bernardo Soares
(heterônimo de Fernando Pessoa)
Livro do Desassossego, Fragmentos 138

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