2 de outubro de 2014

Reza

Oscar Pereira da Silva
Queria minha avó de volta,
ligeirinha, caminhando
pela antiga alameda.
As balas de limão e laranja
envoltas em papel de seda.
As rezas do ventre-virado,
Simpatias, mau-olhado:
“Deus te fez,
Deus te criou,
Deus tire o mal
que em ti entrou.”

Galho de arruda murcho,
doente já sorrindo,
moeda na palma da mão.
“Precisa não”.
“É só uma ajuda”.

Lá ia o rico dinheiro
Para a fezinha do bicho.
“Sonhei com leque, vai dar pavão.
Grande falseta: leque pe ar e cor,
Só podia mesmo ser borboleta”.
Minha avó, matreirinha,
arrumava um jeito de ser feliz.
Foi ela quem me ensinou sobre
alegria, astúcia e sorte.
Foi ela quem demonstrou:
Mulher é sempre mais forte.

Laura Esteves

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