10 de setembro de 2014

O Gitânjali - (Canto 1)

Phoebe Anna Traquair
Fizeste-me sem fim, pois esse é o teu prazer.
Vives esgotando esta taça frágil e enchendo-a
sempre de vida fresca.
Levaste por montes e vales esta flauta pequena de cana,
e soprando-a atravessaste de melodias sempre novas.
Ao toque imortal de tuas mãos, meu pequeno
coração esquece os limites da alegria e
cria inexprimíveis expressões.
Teus dons infindos vêm a mim apenas
sobre estas minhas tão exíguas mãos.
Passam os tempos, vais vertendo sempre,
e vai havendo sempre o que encher.

Rabindranath Tagore (1861-1941)
Tradução: Guilherme de Almeida

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