29 de agosto de 2014

O céu, a terra, o vento ...

Manoel Santiago - Ilha do Governador
O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela praia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia ...
O noturno silêncio repousado...

O pescador Aónio que, deitado
onde co vento a água meneia,
chorando, o nome amado em vão nomeia,
que não pode ser mais que nomeado:

- Ondas - dizia -, antes que Amor me mate,
torna-me a minha Ninfa, que tão cedo
me fizestes à morte estar sujeita.

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate,
move-se brandamente o arvoredo;
leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita ...

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

Nenhum comentário: