20 de junho de 2014

Djanira, de boia-fria a uma das maiores pintoras do país

Djanira em seu ateliê
Djanira da Motta e Silva (Avaré, 20 de junho de 1914 — Rio de Janeiro, 31 de maio de 1979) foi uma pintora, desenhista, ilustradora, cartazista, cenógrafa e gravadora brasileira.
Djanira trabalhou em lavoura de café, em criação de gado, em cozinha de família, foi modista, chapeleira e costureira antes de tocar num pincel pela primeira vez quando, aos 23 anos, em 1937, internada num sanatório para se tratar de tuberculose, viu na parede um desenho de Jesus Cristo e brincou: “Isso até eu faço”.
A Fazenda
Saiu do hospital para morar em Santa Teresa e lá abriu uma pensão. Assim, vivia de costurar para damas cariocas e alugar quartos para artistas — mas se fechava na cozinha à noite, quando todos dormiam, para desenhar. Aos poucos, em seu ateliê de costura, moldes de saias, rendas, fitas e retalhos conviviam com incontáveis desenhos sobre papel.
Num depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS) em 1967, ela se lembrou daquele tempo: “Uma moça da Suíça francesa me pediu para lhe fazer um vestido, chegou ao meu ateliê, viu aquela porção de desenhozinhos na parede e perguntou: ‘De quem são?’. Eu disse: ‘São meus’. Ela: ‘Não, eu quero saber quem fez’. Eu disse: ‘Fui eu’. E ela: ‘Então você é uma artista!’. Eu falei: ‘Não, isso é brincadeira minha’”.
A moça lhe apresentou o pintor Emeric Marcier (1916-1990), que, diante dos desenhos de Djanira, manteve o diagnóstico: “Você é artista”. Ela reclamou: “Não queria que ninguém me chamasse de artista. Achava que, para ser artista, tinha que saber muita coisa que eu não sabia. Artista, para mim, era sagrado”.
Djanira faria 100 anos. Morreu em 1979, “sagrada”, com uma extensa obra em pintura e comparada, por críticos de arte, a Alfredo Volpi e a Heitor Villa-Lobos — em 1948, o crítico Rubem Navarra diria: “Vemos uma Djanira suburbana e requintada, um processo psicológico parecido ao da música de Villa-Lobos, que, partindo do chorinho, encontrou um dia a técnica de Bach”.
Sua obra está concentrada no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio, dono do maior acervo da artista, com 814 obras. A coleção Gilberto Chateaubriand tem 16 pinturas, e o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, outras quatro.

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