13 de abril de 2014

Reflexões sobre a Semana Santa

Philippe de Champaigne - A última Ceia
Conforme estudiosos, tudo começou em Jerusalém durante a Páscoa do ano 33, festa judaica (em hebraico: Pessach ou Passagem) que comemora a saída do povo hebreu do jugo dos egípcios com destino à Terra Prometida, sob o comando de Moisés. O fato ocorreu entre os séculos XVII e XIII a.C.
Naquele ano a festa caía num sábado. Jesus, na noite de quinta-feira, após cear com seus discípulos, foi preso por uma força da Guarda Herodiana no Getsênami. Durante o decorrer daquela noite foi julgado pelo Sinédrio judaico e pelo governador romano, Pôncio Pilatos. Na sexta-feira, foi levado à crucificação, morto (no Gólgota, por volta das 15h) e enterrado no mesmo dia (a religião judaica não permite sepultamentos após o crepúsculo).
No domingo, dia 5 de abril, seu corpo não foi mais encontrado no túmulo e, segundo os Evangelhos, ele reapareceu para seus discípulos com os quais conversou e instruiu.
Quarenta dias após subiu aos céus no Monte das Oliveiras. A partir daí, os seguidores do Cristo passaram a celebrar e rememorar o episódio nas datas correspondentes à Páscoa judaica.
Essas datas no Hemisfério Norte coincidem com o término do inverno e o começo da primavera, época da semeadura, quando tudo se renova e o frio e a escuridão cedem lugar ao sol e ao calor.
A Semana Santa é uma festa móvel que se inicia, segundo o calendário litúrgico católico, após a Quaresma (os 40 dias que compreendem da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Ramos), na qual os principais dias são a Sexta-Feira da Paixão (dia da crucificação e morte de Jesus), o Sábado de Aleluia (período de vigília dos fiéis, quando também ocorre a lamentável Malhação de Judas pelos populares) e o Domingo de Páscoa (a ressurreição de Cristo).
Das antigas tradições judaicas ficou para os cristãos, por ligarem a imagem de Jesus à do cordeiro imolado, proibiram a carne vermelha estipulando o peixe como alimento permitido, talvez pela profissão da maioria dos apóstolos: pescador. O costume de consumir bacalhau na Semana Santa foi introduzido por nossos ex-colonizadores, os portugueses que o consumiam desde o século XV, na época das grandes navegações.
Durante a expansão do Cristianismo pela Europa, a tradição da Páscoa encontrou entre os povos ditos pagãos festividades que ocorriam igualmente no período do fim do inverno e início da primavera no Hemisfério Norte.
Entre os povos teutônicos (germânicos que, inicialmente, habitavam as margens do Báltico) havia uma comemoração à deusa Easter (daí a palavra anglo-saxônica, Easter, que designa a Páscoa) que representava a primavera e a fertilidade.
Nessa festa apresentavam como símbolo da fertilidade a lebre ou o coelho, enquanto distribuíam entre si ovos comuns pintados com desenhos de cores fortes e brilhantes representando o colorido do sol na primavera e a renovação da vida.
Com o passar dos séculos, os cristãos absorveram essas tradições. Nessa fusão, procuraram usar o Cristo ressuscitado como símbolo da renovação e mantiveram o Coelho da Páscoa, que distribuía seus ovos no domingo pascal.
Hoje, as religiões esqueceram as verdadeiras origens da data e o caráter comercial que se abateu sobre todas as manifestações - antes espontâneas do povo - transformou o ovo verdadeiro em ovo de chocolate (produto do cacau descoberto pelos colonizadores europeus nas Américas), fazendo desse antigo símbolo da vida um simples objeto de consumo sem maior significado.

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