14 de abril de 2014

A Beleza…

Paul Fischer
Eu sou bela, ó, mortais! Como um sonho de pedra,
E o meu seio, onde cada um se fere um pouco,
É feito para inspirar ao poeta um amor louco
Eterno e mudo como Fedra.
Reino no azul como uma esfinge indecifrada;
Coração, igual aos cisnes, branco como a neve,
Odeio o movimento que a linha do tempo descreve.
Nunca choro nem jamais acho graça de nada.
Os poetas, diante das minhas graves atitudes,
Que pareço copiar de monumentos semelhantes,
Gastarão os seus dias em austeras virtudes;
Pois tenho, para fascinar esses tolos amantes,
Espelhos cristalinos que tornam as coisas mais belas:
Meus olhos, meus largos olhos que brilham como telas!

Charles Baudelaire (1821-1867)
Tradução: Ivan Junqueira

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