4 de abril de 2014

Cem Anos de Marguerite Duras

Anna Marinova
“Um homem contrata uma mulher durante alguns dias para ela ensiná-lo a arte de amar. Não apenas praticar sexo; nisso esse homem não carece de ensinamentos. Ela — não nos é facultado, pela autora, o seu nome — é apenas uma mulher vulgar, um outro corpo. Por mais que a mulher diga que essa arte não requer apenas vontade, o homem não lhe liga; a sua obsessão/carência não tem limites. Ele nunca se apaixonou. Ele procura nela (o) amor. Ela não procura nada nele. Ele é para ela apenas mais um corpo sedento. Em poucos contatos a mulher, mestra em observar corpos e mentes, "vê" incorporado nesse homem uma "doença", incurável. De que mal sofre ele?: De toda esta história retém apenas algumas palavras que ela pronunciou enquanto dormia, as palavras que dizem o mal de que sofre”.
Marguerite Duras (1914-1996)
Trecho do livro "A Doença da Morte".

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