6 de abril de 2014

"A Primavera" de Sandro Botticelli - Análise da obra

Sandro Botticelli - Alegoria da Primavera
A Primavera, obra também conhecida como Alegoria da Primavera é um quadro de Sandro Botticelli pintado em 1482.
A história da obra não é muito conhecida; parece ter sido encomendada por um membro da família Médicis. O quadro representa e festeja a chegada da Primavera. No meio do bosque de laranjeiras Vênus, a deusa do Amor, surge num prado, por cima do qual o seu filho Eros atira as flechas de amor, com os olhos vendados. Soberana do bosque, Vênus encontra-se um pouco atrás. A atitude e o movimento das personagens demonstram uma harmoniosa unidade entre o homem e a natureza. Por cima de Vênus, as laranjeiras fecham-se em semicírculo, como uma auréola que circunda a deusa, principal personagem do quadro.
O lirismo também terá servido de inspiração a Botticelli e assim, surge a divindade de Zéfiro, brisa que banha as planícies de orvalho, as cobre de doces perfumes e veste a terra de inúmeras flores. Esta personagem está representada à direita do quadro sob a forma de um ser alado, azul esverdeado. É Zéfiro que persegue uma ninfa com vestes transparentes (Clóris) que olha para o deus com horror. Da sua boca caem flores e misturam-se com as que decoram o vestido de uma outra personagem que avança ao lado dela. Esta nova personagem tira do regaço um punhado de rosas que coloca no jardim.
Do lado esquerdo, vemos as Três Graças (Aglaia, Tália e Eufrósina), que representam a beleza, a castidade e a sensualidade, dançando numa roda cheia de encanto. A seguir está Mercúrio, o mensageiro dos deuses, que fecha o quadro à esquerda. É reconhecido pelas suas sandálias aladas e o caduceu que tem na mão direita. A presença do sabre que Mercúrio transporta, demonstra a sua função de guardião do bosque.
Esta obra destaca-se tanto pelo seu realismo que encontramos nas figuras e também no estudo detalhado da anatomia, como pelo seu naturalismo; é também um claro exemplo de retrato. No quadro poderão estar representadas algumas figuras importantes da época: a Graça da direita é Catarina Sforza, a Graça do meio poderá ser Semiramide Appiani, esposa de Lourenço que está representado como Mercúrio, (alguns autores referem que é Juliano de Médicis quem aparece representado como Mercúrio) esta Graça olha fixamente para o seu marido (Mercúrio). Tem sido proposto que o modelo de Vênus foi Simonetta Vespucci, musa de Sandro Botticelli.
Juliano de Médicis, representado como Mercúrio
Simonetta Vespucci - Flora
As Três Graças
Zéfiro e Clóris

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