22 de março de 2014

Pastoral

Pierre-Auguste Renoir
Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar

E logo te acompanham. Que alegria
Anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez…», – à gente do meu lar.

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!»

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!

António Maria de Sousa Sardinha (1888-1925)

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