30 de março de 2014

Gota d'água

Matthias Breiter
Despertar. O dilúculo termina.
A alba rufa os tambores pelos montes...
Afã. A claridade matutina
Rasga os céus, abre novos horizontes.

Outra ilusão os ares ilumina.
Fulvo, jorrando das perpétuas fontes,
O dilúvio do sol enche a campina,
Inunda estâncias, recobrindo pontes...

Perturba o coração este epicínio!
Mas, julgando improfícuo o sacrifício,
Nestas horas de ação, formidolosas,

Gota d'água no mar da Humanidade,
Continuo a rimar na soledade,
Ouvindo estrelas, cultivando rosas.

Martins Fontes (1884-1937)

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