16 de fevereiro de 2014

Soneto

Sir Lawrence Alma-Tadema
Os brancos lírios que, de cento em cento,
filhos do Sol, nos dá a Primavera,
a quem do Tejo são lá na ribeira,
ouro seu berço, pérolas seu alimento;
as frescas rosas que, ambicioso, o vento
com pluma solicita lisonjeira,
como quem de uma e outra folha espera
purpúreas asas, se lascivo alento,
a vosso formoso pé cada qual deve
sua beleza toda. Que fará a mão
se tanto pode o pé, que ostenta flores,
por que vosso esplendor vence a neve,
vence seu rosicler, e por que em vão
falando vós, expiram seus olores?

Luis de Góngora y Argote (1561-1627)
Tradução: Claudio Daniel – Revista Zunai

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