22 de fevereiro de 2014

Soneto ao Silêncio

Michelle Wiarda
Fantástico silencio! Nele existe
um clarão momentâneo: e tudo dorme.
Ai! que a noite irreal, cega e disforme,
ainda o faz mais pungente e amargo e triste!

Fantástico silencio moribundo
aos meus olhos aceso como velas
que iluminassem becos e vielas
pelas cidades pálidas do mundo...

Lá o vejo pender, fruto caído,
lá o vejo soprar contra as muralhas
e recobrir – silencio envelhecido –

o que a noite ocultou, e está perdido...
Lá o vejo oscilar nas cordoalhas
de algum veleiro desaparecido.

Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)

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