12 de fevereiro de 2014

O lago e a estrela

Linda Mears
Disse a vaidosa estrela quando viu
De um lago azul a débil transparência:
– Por que te deu a sábia providência
Um corpo tão monótono e sombrio?

Comigo teve Deus maior clemência
E do esplendor eterno me vestia!
Que vales, pois, ó lago humilde e frio,
Perto da minha deslumbrante essência?

Nos céus eu moro! O meu destino zomba
De ignota força que reparte as mágoas!
Tenho a ventura de desconhecê-la.

– Mas quando a noite vagarosa tomba
É no seio fiel das minhas águas
Que vens dormir, ó luminosa estrela!

Luiz Guimarães (1878-1940)

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