24 de fevereiro de 2014

Concha Vazia

Edward Robert Hughes
Teu coração é uma concha vazia
mergulhado em uma alma indiferente,
onde afoguei meus doces sentimentos;
teu coração nunca tem melodia,
e por mim ele bate lentamente
com dobres sonolentos!

É um altar onde as apagadas piras
de trevas enchem as imagens santas,
o santuário de minha afeição!
É um solitário espaço cheio de iras,
onde derramei outrora meus prantos...
sepultaste a paixão!
Teu coração é uma flor sem perfume,
ele é um jardim sombrio e devastado,
nele sequer uma sombra restou!
Sequer restou uma sombra de ciúme,
para mostrar que neste mundo errado,
alguém tanto me amou!

Como uma concha vazia perdida
nos areais da vida ele anda agora,
encontrado na esperança de ser!
Mas, quem achar essa ilha entristecida,
Também esperará a bela aurora.

Alexandre Campanhola

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