8 de fevereiro de 2014

Perdoa

Claude Cambour
Se o vento desfolhar do teu jardim as rosas
E as deixar pelo chão espalhadas à toa,
Cruza os braços, fitando as roseiras graciosas,
– E a maldade do vento, em silêncio, perdoa!

Se a poeira vier ferir teus olhos, na estrada,
Deixa que o teu olhar tranquilamente doa,
Eleva para o azul as pálpebras, mais nada…
– E a maldade do pó, com ternura, perdoa!

Se alguém encher de fel teu coração dorido,
Sem que do teu pesar um dia se condoa,
Não maldigas: esquece o insulto recebido,
E a maldade do mundo, em lágrimas, perdoa!

Maria Pagano de Botana (1909 - ? )

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